Licitações públicas: os principais erros jurídicos cometidos por municípios?

24/12/25

Licitações públicas representam um dos maiores desafios jurídicos enfrentados por municípios. A Lei nº 14.133/2021, conhecida como Nova Lei de Licitações e Contratos, substituiu as normas anteriores e trouxe mudanças relevantes nos procedimentos, nas responsabilidades dos agentes públicos e na lógica de planejamento das contratações. Quando os municípios não se adequam, surgem falhas que comprometem a legalidade, atrasam projetos e expõem gestores a responsabilizações.

Por que a atenção às licitações deve ser redobrada

A gestão de recursos públicos exige conformidade absoluta, com observância rigorosa aos princípios da legalidade, da transparência e da eficiência. O Tribunal de Contas da União (TCU) identificou que mais de 30% das irregularidades em convênios e contratos decorrem de erros licitatórios. Isso mostra a importância de compreender os riscos e preveni-los.

Além disso, a implementação integral da Lei nº 14.133/2021 exige que os municípios revisem práticas consolidadas. Muitos ainda insistem em adotar modelos antigos ou incompletos, o que resulta em nulidades e sanções.

Principais erros jurídicos em licitações

Municípios cometem falhas recorrentes que poderiam ser evitadas com planejamento e assessoria técnica adequada. Entre os erros mais comuns estão:

  • Editais mal elaborados: ausência de critérios objetivos, exigências desproporcionais e cláusulas que restringem a competitividade.

  • Falta de planejamento prévio: licitações iniciadas sem estudos técnicos preliminares ou orçamentos detalhados.

  • Desconhecimento da Nova Lei de Licitações: aplicação incorreta de prazos, modalidades e critérios de julgamento.

  • Erros formais nos processos: ausência de publicações obrigatórias no PNCP (Portal Nacional de Contratações Públicas).

  • Comissões mal estruturadas: servidores sem capacitação específica designados para funções estratégicas.

  • Gestão contratual falha: ausência de fiscal responsável e de relatórios de execução do contrato.

  • Documentação insuficiente: processos sem atas completas, pareceres jurídicos ou justificativas de escolha.

Esses pontos comprometem a legalidade do certame e podem levar à anulação de contratos, responsabilização de gestores e perda de recursos federais.

Impactos das falhas licitatórias para os municípios

Quando falhas jurídicas acontecem, os efeitos são imediatos e relevantes para a administração pública:

  • Atraso em obras e serviços essenciais.

  • Desperdício de recursos por repetições de certames anulados.

  • Multas e sanções aplicadas por Tribunais de Contas e órgãos de controle.

  • Insegurança jurídica para fornecedores e investidores interessados em participar.

  • Risco de improbidade administrativa, com reflexos pessoais para os gestores.

Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em 2022 cerca de 25% dos prefeitos entrevistados afirmaram ter processos questionados por falhas formais em licitações.

Como prevenir erros em licitações públicas

A prevenção de falhas jurídicas exige organização, capacitação e acompanhamento jurídico constante. Entre as boas práticas estão:

  • Planejamento detalhado: elaboração de Estudos Técnicos Preliminares (ETP) e Termos de Referência consistentes.

  • Capacitação da equipe: treinamento contínuo dos servidores sobre a Lei nº 14.133/2021 e suas inovações.

  • Uso do PNCP: publicação de todos os atos no Portal Nacional de Contratações Públicas.

  • Modelos padronizados: adoção de minutas e checklists revisados por especialistas.

  • Acompanhamento jurídico preventivo: pareceres jurídicos que validem cada etapa do procedimento.

  • Gestão contratual efetiva: nomeação de fiscal de contrato, relatórios periódicos e registro das ocorrências.

Essas medidas reduzem falhas e fortalecem a segurança jurídica de cada processo.

Exemplos de falhas reais

Decisões recentes dos tribunais de contas demonstram que a ausência de estudos técnicos, a não publicação de atos no PNCP e a utilização de modelos ultrapassados continuam sendo causas frequentes de suspensão ou anulação de licitações municipais:

  • Em 2021, o TCU suspendeu licitações federais por ausência de estudos técnicos em editais de obras rodoviárias.

  • Em 2022, tribunais de contas estaduais anularam certames municipais por ausência de publicação no PNCP.

  • Em 2023, diversos municípios sofreram sanções porque mantiveram modelos da antiga Lei nº 8.666/1993 após a entrada em vigor da Nova Lei.

Esses casos evidenciam que erros formais, ainda que aparentemente simples, podem resultar em prejuízos significativos à administração pública.

Como nossa equipe pode apoiar municípios em licitações 

Nós assessoramos prefeituras e órgãos públicos na condução de licitações em conformidade com a Lei nº 14.133/2021. Nossa equipe auxilia na elaboração de editais, estudos técnicos preliminares e termos de referência, revisa a legalidade de cada etapa e apoia a publicação correta no PNCP.

Também acompanhamos a execução contratual, oferecendo pareceres e relatórios que reduzem riscos e fortalecem a governança pública.

Entre em contato para compreender como estruturamos projetos de apoio jurídico em licitações, com foco em segurança jurídica, eficiência administrativa e conformidade com os órgãos de controle.